Ei, sou surda sim!

Atualizado: 30 de jan.


Meu nome é Josiane tenho 39 anos, sou formada em Psicologia pela Universidade Nove de Julho e sou uma surda que ouve (#surdosqueouvem). Minha jornada frente a surdez começou em 2003 quando eu estava com 21 anos de idade. Convivo com a surdez há 17 anos.


Minha mãe começou a perceber que eu não estava mais conseguindo ouvir ela chamar ou ainda entendia tudo que ela falava errado. Ao atender o telefone tinha dificuldades de entender o que diziam e era um sufoco e mesmo assim eu não consegui perceber que estava com perda de audição. Inicialmente minha família entendeu que eu estava simulando a perda de audição e que eu somente escutava aquilo que me era conveniente.


Então sozinha lá fui eu para o hospital público CEMA aqui em São Paulo para ver o que de fato o que ocorria. Sinceramente eu não sabia exatamente o que estava acontecendo eu apenas fui. Passei pelo Otorrinolaringologista que logo solicitou para o mesmo dia a audiometria. Eu passei o dia todo no hospital.


Fiz o exame e retornei para o médico que me informou sem muitos rodeios que eu estava perdendo muito rapidamente a audição (50 db em ambos os ouvidos) em nível MODERADO e que precisaria fazer exames complementares para encontrar a causa. Fiz todos os exames que existem, Bera, Hemograma completo, curva insulínica entre outros que não me recordo agora, foram 3 anos entre vindas e idas.

Quando finalmente recebi o diagnóstico de Perda Auditiva Bilateral Neurossensorial Simétrica Idiopática. Simétrica porque a perda é igual em ambos os ouvidos e idiopática por ser de causa desconhecida. Na época eu não sabia exatamente o que tudo isso significava. Lembro de chegar em casa e contar aos meus pais que logo disseram que os médicos (uma junta médica de especialistas) estavam equivocados e que eu estava fingindo, e possivelmente forjei os exames, como se isso fosse de fato possível. Agora em 2021 descobri finalmente a causa da minha surdez, depois de realizar o exame de Eletrococleografia foi identificado que tenho a doença de Meniérie, o que torna a minha surdez progressiva.

Foi aí que me dei conta que estava literalmente sozinha e que o caminho seria árduo e difícil. Os preconceitos foram se acumulando dentro e fora de casa e principalmente na área médica e corporativa. Era comum eu ter que “provar” que eu tinha surdez diariamente, frases como “Nossa, mas voc