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Talvez você tenha visto o termo “surda” e já tenha logo pensado na pessoa surda que fala em Libras ou uma pessoa surda que não escuta absolutamente nada. Mas, e se eu disser para você que a surdez é muito mais complexa do que você imagina?


A verdade é que resumir ou tentar padronizar a surdez não faz o menor sentido.

Um pessoa pode sim nascer surda - chamamos isso de “surdez congênita” -, mas, uma pessoa pode também perder a audição ao longo da vida - essa aqui, chamamos de “surdez adquirida”. E este é o meu caso.


Nesta minha nova newsletter, vou compartilhar com você como foi todo o processo de descoberta, diagnóstico e o que veio depois disso tudo - e tudo que está acontecendo, afinal, meu diagnóstico foi tardio.


Mas, aí você pensa: “Tardio?” - “Como assim ela não sabia que era surda?”.


E é isso tudo que você irá descobrir, se estiver aqui comigo.


Minha jornada surda começou muito antes de eu decidir escrever aqui, mas, agora entro com você nesse mundo da escrita e leitura onde irei compartilhar tudo aquilo que ninguém te conta sobre a surdez. E eu vou começar pela minha!







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Atualizado: 13 de jun. de 2023




Convenceram você que a sua deficiência é insignificante porque você sabe falar e consegue se comunicar com ouvintes.


Te convenceram que você não precisa de nada, porque você é totalmente capaz se adapta.

Te convenceram, que quando você pede qualquer adaptação ou acessibilidade, é porque está querendo demais e que suas necessidades incomodam os outros.


Te convenceram que quando você reclama de grosserias, má vontade alheia ou maus tratos, você está se vitimizando.


Te convenceram que você é um caso único e por isso, é especial. E que seu esforço deve ser unicamente para divulgar outras necessidades e não as suas, porque você foi privilegiado por falar e saber português fluente.


Te convenceram que a tecnologia que você usa é motivo de vergonha, que você deveria escondê-la.


Que a sua voz é feia quando tem sotaque e que deveria se esforçar o máximo para ele desaparecer.


Te convenceram que a surdez faz parte da sua vida porque "lá no fundo você não quer ouvir ninguém", como se seu infortúnio fosse sua culpa, não uma fatalidade como outras tantas.


Te convenceram que você não deveria lutar pelos seus direitos, porque a sua existência atrapalha a luta de outros que julgam precisar mais que você. Então fique quieto, fingindo que não existe.


Mas, queria te dizer algo: desapegue-se de tudo que te convenceram. Aceite a realidade como ela é, você tem uma deficiência real, precisa de respeito, acessibilidade e inclusão.


Você faz parte de um grupo grande que há muito tempo é silenciado. Ser surdo oralizado não é um privilégio, é apenas parte da sua identidade.


E que nem por isso desobriga a sociedade a te oferecer as ferramentas de acessibilidade e a inclusão que você precisa e merece.


Lute pelos seus direitos!


Não atrapalha a luta de ninguém você ter acesso ao que você precisa. Na verdade, favorece pelo menos duas pessoas: Eu e você.


Então, vamos juntos.


Por Lak Lobato.

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Mãe,

minha depressão é metamorfa...

Um dia é tão pequena quanto um vaga-lume na palma de um urso no dia seguinte é o urso nesses dias eu me finjo de morta até que o urso me deixe em paz eu chamo os dias ruins de dias sombrios!

Minha mãe diz: tente acender velas quando eu vejo uma vela eu vejo o lampejo de uma igreja, a chama cintilando em faíscas de uma memória antiga;

Eu estou parada ao lado de um caixão aberto, e nesse momento eu percebo que toda pessoa que eu conheci um dia vai morrer além disso, mãe, não tenho medo do escuro.

talvez isso seja parte do problema.

Mamãe diz: eu achei que o problema fosse você não conseguir sair da cama.

eu não consigo a ansiedade me faz prisioneira dentro da minha casa, dentro da minha cabeça.

Mamãe diz: de onde veio a ansiedade? a ansiedade é o primo que vem de outra cidade visitar e a depressão se sente obrigada a levá-lo à festa. mãe, eu sou a festa. só que eu sou uma festa em que eu não queria estar.

Mamãe diz: por que você não vai a festas de verdade? ver seus amigos.

Claro, eu faço planos.

Eu faço planos, mas eu não quero ir.

Eu faço planos porque eu sei que eu deveria querer ir.

Eu sei que as vezes eu gostaria de querer ir.

Mas não é divertido ir se divertir quando você não quer se divertir, mãe.

Sabe, mãe, cada noite, a insônia me carrega em seus braços, me deixa na cozinha sob o pequeno brilho da luz do fogão.

A insônia tem essa forma romântica de fazer a lua parecer a perfeita companhia.

Mamãe diz: tente contar ovelhinhas.

Mas a minha mente só consegue contar motivos para ficar acordada.

então eu vou caminhar mas meus joelhos se batem como colheres de prata seguradas em braços fortes com pulsos fracos elas tocam nos meus ouvidos como sinos ruins de uma igreja, me lembrando que eu estou sonâmbula em um oceano de felicidade que eu não posso ser batizada.

Mamãe diz: ser feliz é uma escolha.

Mas a minha felicidade é tão alta quanto uma febre que vai surgir

Minha felicidade é tão vazia quando um ovo furado, mamãe diz que eu sou tão boa em ver coisas que não existem e de repente ela me pergunta se eu tenho medo de morrer.

Não, eu tenho medo de viver.

mãe, eu estou sozinha.

Eu acho que aprendi isso quando o papai foi embora;

Em como transformar a raiva em solidão e a solidão em me manter ocupada então quando eu digo que tenho estado muito ocupada ultimamente, eu quero dizer que eu tenho adormecido assistindo o canal de esportes no sofá

para evitar enfrentar o vazio da minha cama.

Mas a minha depressão sempre me arrasta de volta a minha cama,

até meus ossos se tornarem antigos fósseis de uma cidade de esqueletos, minha boca um cemitério de dentes quebrados de se morderem.

O vazio auditório do meu peito desaparece em ecos dos batimentos do meu coração,

mas eu sou uma turista descuidada aqui;

Eu nunca vou saber de verdade os lugares que estive mamãe você ainda não entende.

mãe voce não pode ver?

Que eu também não.



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