Quando Zoë Nutt acordou, ela mal podia ouvir nada. Parcialmente surda durante a maior parte de sua vida, a nativa do Tennessee não era estranha a questões auditivas, mas nesta manhã em particular, ficou claro que algo muito diferente estava acontecendo, algo que mudaria drasticamente o curso de sua vida e mudaria radicalmente a forma de seu novo álbum intoxicante.


"Eu estava no meio do processo de gravação, e de repente, da noite para o dia, perdi uma grande quantidade da minha audição", diz Nutt. "Então aconteceu novamente mais cinco vezes durante o curso daquele ano. Houve um mês em que eu essencialmente não podia ouvir nada. Foi aterrorizante."

Forçada a confrontar a perspectiva de que ela poderia estar no caminho para a surdez completa e total, Nutt teve um longo hiato de gravação e performance a fim de se submeter a uma cirurgia de implante coclear. O procedimento foi um sucesso, mas exigiu que ela aprendesse a ouvir tudo de novo com a ajuda de um implante coclear e um aparelho auditivo, um processo que às vezes a deixava profundamente frustrada e profundamente grata.


Quando ela finalmente voltou ao estúdio, Nutt sintetizou aquele complicado redemoinho de emoções em seu trabalho mais ambicioso e sofisticado até agora, equilibrando dor e esperança, perda e descoberta, fé e medo em igual medida. Produzido pelo célebre compositor Tammi Kidd Hutton (LeAnn Rimes, Rascal Flatts) juntamente com Ben Phillips (Chris Janson) e Greg Magers (Umphrey's McGee, Lupe Fiasco) e com uma participação especial de Brandy Clark, seu próximo álbum é um testemunho da resiliência de Nutt, um ato inspirador de desafio artístico diante das dificuldades e da luta.


As músicas aqui raramente abordam diretamente a perda auditiva de Nutt, em vez de focar em toda a alegria, confusão e decepção que vêm com o amor jovem e o desgosto, mas a escrita é claramente informada pela maturidade e autoconsciência que ela desenvolveu como resultado de sua condição.


Ao longo do álbum, Nutt frequentemente emparelha melodias flutuantes e chifres brilhantes e perfurantes com letras profundas e perspicazes, oferecendo explorações nuances das áreas cinzentas emocionais da vida enquanto ela se baseia no country, folk, pop e soul para criar um som claramente moderno enraizado em vulnerabilidade inabalável.


"Quando estou no estúdio, não estou preocupado em fazer algo bonito ou moderno", diz Nutt. "Estou lá para atirar do coração e fazer algo que ressoe. Como artista, tudo o que eu sempre quis fazer é compartilhar algo real com meu público."

Nascida e criada em Knoxville, TN, Nutt se apaixonou pela coleção de discos de seus pais quando jovem, obcecada por tudo, de Johnny Cash a David Byrne. Ela desenvolveu uma paixão por cantar no ensino médio e começou a treinar de forma clássica, o que levou a apresentações regulares em corais e musicais ao longo de sua adolescência. Foi só quando ela desembarcou em Nashville para a faculdade, no entanto, que Nutt começou a escrever sua própria música original, um movimento que a obrigou a expandir seu repertório instrumental.


"Toquei um pouco de piano quando criança, mas nem sabia tocar guitarra até escrever minha primeira música", diz Nutt, que credita os tipos de The Avett Brothers e Brandi Carlile a inspirá-la a escrever. "Eu tive uma ou duas aulas, mas eu decidi apenas ensinar a mim mesmo e haxixe tudo por conta própria no meu quarto."

Em 2018, Nutt começou a gravar seu novo álbum, mas o trabalho nele parou repentinamente quando sua audição começou a se deteriorar drasticamente.


"Os médicos essencialmente me disseram que não sabiam por que eu estava tendo esses episódios de perda auditiva tão aleatoriamente e com tanta frequência", diz Nutt.

"Eles disseram que era progressivo, no entanto, e que eu poderia estar em uma linha do tempo movendo-se para perda auditiva total. Minha melhor escolha foi fazer a cirurgia de implante coclear no meu ouvido direito e usar um aparelho auditivo à esquerda."

Ao longo do ano seguinte, Nutt teve que aprender tanto como navegar em sua vida cotidiana quanto como voltar aos palcos com seu novo implante. Para apresentações ao vivo, ela começou a usar grandes fones de ouvido over-ear para acomodar o dispositivo, e no estúdio, ela passou a contar com os instintos de sua banda e produtores quando se tratava de tons e frequências que ela não podia ouvir tão claramente como ela tinha antes. Cantar foi talvez o maior desafio, e Nutt se viu grato pela memória muscular que desenvolveu durante anos de treinamento clássico.


"Ser capaz de se apoiar em toda essa técnica vocal foi tão útil para mim", explica. "Quando você não pode se ouvir bem, você tem que confiar em seu treinamento. Estou sempre ciente do fato de que quando eu sing, o que estou ouvindo soa muito diferente do que o resto do mundo está ouvindo."

Baseando-se nos ossos estruturais que ela havia desenvolvido no estúdio antes de sua cirurgia e adicionando-o com novas músicas escritas durante seu ano de recuperação, Nutt completou o trabalho em seu próximo álbum no início de 2020.


Embora grande parte do disco seja autobiográfico por natureza, a música se baseia em uma ampla gama de influências, e o resultado é uma coleção de longo alcance e totalmente cativante tudo sobre isolamento, pertencimento e crescimento. O terno "Too Fast", que apresenta vocais de Brandy Clark, conta com as maneiras que o medo pode nos conter de nosso potencial, enquanto o breezy "Happy" desafia nossas noções de como o contentamento se parece na era das mídias sociais, e o crescente "Girl Of My Dreams" parece para dentro e não para fora para a realização.


"Essa música fala sobre uma história de amor", diz Nutt, "mas em vez de procurar aquela pessoa com quem você sempre quis estar, é sobre procurar a pessoa que você sempre quis ser."

Apesar da natureza às vezes pesada do álbum, Nutt sempre consegue encontrar um vislumbre de esperança com sua escrita. Ela dá dicas para Sheryl Crow no em êxtase "East Houston Street", que escolhe o otimismo mesmo nos dias mais difíceis, e canaliza Elvis Costello no brincalhão "Ooee", que localiza o lado bom do amor não correspondido. Talvez seja o pungente "Like You", porém, que melhor captura o espírito de Nutt, como ela gira suas lutas pessoais com ouvir em uma meditação universal sobre a perda.


"Muitas vezes me senti como se estivesse do lado de fora olhando para dentro, como se eu não me encaixasse em lugar nenhum", diz Nutt, "mas minha perda auditiva me ensinou a ser forte de maneiras que nunca imaginei. Ele me ensinou a estar mais presente e mais apreciativa do momento, e por isso, sou extremamente grata."

Mais do que a maioria, Zoë Nutt entende que o tempo é precioso. Sua nova música prova que ela não está tomando um minuto como garantido.



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A imagem ao lado explica de maneira bem simplificada onde fica localizado o implante coclear, o processador de som, os feixes de eletrodos que são introduzidos cirurgicamente na cóclea e que exige precisão do médico otorrinolaringologista para que se obtenha sucesso.


Mas o que poucas pessoas sabem é que essa tecnologia nem sempre é indicada para todo tipo de surdez e isso porque essa possibilidade somente é considerada pelo médico quando a resposta com os aparelhos auditivos já não são mais um opção.


Outro ponto é que se trata de um processo longo que não se limita a cirurgia. Quando se decide pelo implante é preciso estar ciente da nova realidade que será instalada e que é muito diferente da realidade com os aparelho auditivos.


Se por exemplo a pessoa ainda tiver algum resquício de audição por menor que seja, na cirurgia será totalmente extinto. O resíduo auditivo irá desaparecer por completo e sem o uso do implante a surdez é total. Ou seja a pessoa passa a depender totalmente dos implantes para poder ouvir e entender o sons, agora imagine se o processador da problema e precisa ir para o conserto? Imaginem a agonia que deve ser ficar sem.


É um trabalho em conjunto entre otorrinolaringologista, fonoaudiólogos e psicólogos. O primeiro realiza o procedimento cirúrgico, o segundo ajusta, mapeia os implantes e o terceiro contribui para que a pessoa não se cobre demais em ouvir ou mesmo fique atordoada porque ficará 30 dias após a cirurgia sem ouvir absolutamente nada e não crie expectativas demais quando a ativação ocorrer.


Não se trata de ir a uma clinica escolher como os aparelhos auditivos, pois, não é tão simples. Além disso é uma tecnologia cara que nem todos tem como arcar financeiramente. Os aparelhos auditivos já são considerados caros justamente porque não são nacionais e o implante coclear está na mesma faixa e por ser mais delicado em relação a sua construção tecnológica acaba sendo seu valor incompatível com o que a maioria pode pagar.


Diante disso temos o SUS - Sistema Único de Saúde que arca através do uso de dinheiro publico arrecadado dos impostos que pagamos diariamente todos os anos para cobrir o aparelho, a cirurgia, manutenção e acompanhamento fonoaudiólogo. Incrível não?


Graças ao SUS - Sistema Único de Saúde fundado em 1988 diante da maior crise de saúde publica do país, que hoje podemos disfrutar da possibilidade de obter os implantes cocleares e também os aparelhos auditivos. Importante lembrar que somos o único país do mundo que conta com um sistema público de saúde gratuito e sem custos a população. Em outros países tudo é custeado do seguro que a pessoa geralmente tem e do próprio bolso.


A demanda é grande no Brasil e tem muitas pessoas que estão aguardando a oportunidade de realizarem a cirurgia e isso requer paciência para saber esperar a hora em que será de fato chamado.


Abaixo deixo o arquivo de presente para baixar que contém todas as informações de indicação, contra indicação, etapas e todo o processo dentro do SUS.


diretrizes_gerais_atencao_especializada_pessoas_deficiencia_auditiva_SUS
.pdf
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Psicóloga Josiane

CRP - 06/161457-SP

Surda Oralizada

Usuária de Aparelhos Auditivos Bilaterais


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Quando iniciei como psicóloga com atendimento voltado para surdos. Realizei uma pesquisa para ver quantos profissionais atuavam na área e vi que muitos, mas no formato de atendimento em Libras que é super importante. Mas e os surdos oralizados? Eu sou surda oralizada e não encontrei um profissional que atuasse nessa demanda. Quando entrei para o grupo da @cronicasdasurdez no Facebook pude acompanhar as histórias e o sofrimento psíquico em relação a surdez.


E foi aí que resolvi unir forças com quem já é grande como a @cronicasdasurdez para somar. Eu como surda oralizada e ciente de todos os impactos que a surdez traz ao emocional e ao social de quem convive com essa condição abri este perfil e que de longe eu não imaginava que pudesse fazer a diferença.


Hoje somos uma família de 900 pessoas em sua maioria de surdos que acompanham e esperam ver informação e acolhimento. Esse é o propósito. Nesse percurso atendi vários surdos e os vi se libertando do armário da surdez ao passo que viam através da minha própria vivência que era possível e ainda o é.


Mas você que é psicólogo e deseja unir forças para atender esse público eu te dou algumas dicas abaixo, corre pegue 🖊 e papel ou mesmo guarde no notes do celular pra nunca esquecer:


✔ utilize ferramentas com acessibilidade que contenham legendas ao vivo.


✔Seu local de atendimento seja presencial ou online precisa estar bem iluminado para que se possa realizar a leitura labial.


✔ Sempre pergunte se seu tom de voz está confortável para que o mesmo possa ouvir bem através das tecnologias auditivas que utiliza.


✔ Caso no meio da sessão a bateria acabe aguarde o mesmo colocar novas pilhas ou baterias 🔋 para dar continuidade.


✔ Treine seu comportamento para evitar colocar as mãos na frente da boca porque nós como surdos oralizados realizamos leitura labial complementando as tecnologias auditivas que não fazem milagres mas são vitais para nossa sobrevivência em um mundo 🌎 cheio de sons.


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